A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados discutiu, nesta quarta-feira (12), sobre
a importação de produtos lácteos de países do Mercosul. Durante a audiência
pública, os parlamentares debateram formas de tornar justo o comércio de
laticínios entre os países.
Para o deputado federal Celso Maldaner (MDB-SC), requerente da
audiência, a concorrência entre as importações de lácteos de países como
Uruguai e Argentina não é justa com os produtores no Brasil. Em sua
justificativa, ele ressalta que os pecuaristas brasileiros seguem normas
ambientais rígidas, refletindo no preço final do leite, mas as mesmas regras
não são exigidas quando os produtos são importados.
Além da falta de harmonia nos padrões de preservação ambiental entre os
países, outro argumento utilizado é que a quantidade de leite importado do
Uruguai é incompatível com a sua capacidade de produção, justificando assim que
os uruguaios estariam revendendo laticínios importados.
A pandemia também esteve em debate. Com o fim do auxílio emergencial, a
capacidade de compra dos brasileiros diminuiu, reduzindo também o consumo de
leite pelas famílias. O problema se estende por conta da falta de aulas
presenciais nas escolas públicas e, com isso, a suspensão das compras de
produtos lácteos para o programa de merenda escolar.
O deputado federal, vice-líder de governo na Câmara e membro da CAPADR,
Evair de Melo, frisou a importância em reunir forças para reformular o setor e
trazer melhorias para os produtores e consumidores.
“Nós precisamos ter uma mudança de postura no setor produtivo, nos modos
de produção e na agregação de valor. Temos que investir cada vez mais em regras
sanitárias no processamento, desburocratizando e aperfeiçoando o nosso selo
ARTE, que foi um grande avanço, mas
não é a resposta para nossos problemas. Precisamos ainda incorporar a pesquisa,
trazendo modos inovadores para tornar a produção mais barata, mas sem perder a
qualidade”, afirmou.
Certificação de Selo ARTE
O selo ARTE, citado pelo deputado, é o certificado que assegura que o
produto alimentício de origem animal foi elaborado de forma artesanal, com
receita e processo que possuem características tradicionais, regionais ou
culturais.
O certificado é importante pois agrega valor ao produto artesanal, além
de ampliar o mercado consumidor potencial, na medida em que possibilita a
comercialização dos produtos em todo o território nacional.
Evair é um importante
defensor do setor produtivo do leite
"Desde o meu primeiro mandato, tenho os setores agropecuários como
grande parte de minhas prioridades. Venho lutando para fortalecer cada vez mais
a produção local e, acima de tudo, levar mais dignidade, renda, desenvolvimento
e oportunidades para o nosso campo, incluindo o setor do leite". Membro da
subcomissão do leite da CAPADR, Evair de Melo é um importante interlocutor do
debate sobre o fortalecimento da cadeia produtiva de leite no Brasil.
No ano de 2017, o parlamentar participou de maneira determinante para
que a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovasse o requerimento
para a determinação ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
(MDIC) acerca da suspensão da importação de leite e derivados do Uruguai.
Membro da Comissão, na ocasião Evair de Melo defendeu a suspensão imediata das
importações do produto.
A medida possui consequências diretas no preço pago ao produtor. Caso
haja uma recuperação de, por exemplo, R$ 0,30 centavos por litro de leite, o
resultado é uma injeção de aproximadamente R$ 150 milhões, por ano, somente na
economia capixaba.
O anúncio ocorreu após audiência da Comissão de Agricultura da Câmara
realizada em setembro de 2017, resultado da solicitação de Evair de Melo para
analisar os critérios econômicos adotados pelo Governo Federal para autorizar a
importação e os impactos dessas políticas na cadeia produtiva.
Incorporação de outros
produtos lácteos na mesa dos brasileiros
O vice-líder de governo aproveitou sua fala para ressaltar a importância da inserção dos laticínios na alimentação dos brasileiros. “Temos que concentrar esforços para incorporar, além do leite, o queijo e iogurte nos programas sociais. Dessa forma, agregamos valor e encurtamos a distância entre o produto final e o consumidor. Com nosso trabalho, apoio do Governo Federal e Ministério da Agricultura poderemos levar dignidade aos pequenos produtores de todo o Brasil”, concluiu.