Movimento empresarial reúne-se com Embaixada da China para viabilizar doações de vacinas

Comitê de Crise e Ibrachina intermediam junto ao corpo diplomático aquisição de 8 mi de vacinas e doação integral ao SUS

Comitê de Crise do Congresso Nacional e Ibrachina intermediam junto ao corpo diplomático aquisição de 8 milhões de vacinas e doação integral ao SUS

 

O Comitê de Crise Covid-19 do Congresso Nacional, presidido pelo deputado federal Evair de Melo (PP/ES), tem servido como importante canal de diálogo e interlocução institucional nacional, atuando junto a corpos diplomáticos e dialogando com a iniciativa privada e a sociedade civil.

Foi o primeiro comitê do tipo criado no Brasil, em abril de 2020. Desde então intermediou várias ações bem-sucedidas, que incluem doações de oxigênio e insumos hospitalares do governo da China e de empresar chinesas para o Brasil.

Atento ao desejo da iniciativa privada para aquisição de vacinas diretamente da China, o Comitê realizou uma reunião virtual nesta quarta-feira (14) com o Ministro Conselheiro Qu Yuhui, porta-voz da embaixada da República Popular da China no Brasil, representando o embaixador Yang Wanming.

Estavam presentes, além de Evair de Melo, membros do Comitê Executivo do Comitê de Crise Covid-19: os advogados Thomas Law e Sóstenes Marchezine; o Comendador Regino Barros e Deyvid Pereira. Law é presidente do Instituto Sociocultural Brasil/China (Ibrachina) e, junto com Marchezine, conduz a Coordenação Nacional das Relações Brasil-China da OAB Federal (CNRBC).

Falaram em nome do empresariado, Alan Eccel, representante do grupo varejista Havan, comando por Luciano Hang, e as empresas da holding de Carlos Wizard; Emanuel Catori, da Belcher Farmacêutica e Kyra Hsia, da Adidas Brasil.

Seu movimento, denominado ‘Empresas pelo Brasil”, busca a interlocução com o governo chinês para a aquisição de 8 milhões de doses da vacina produzida por laboratórios chineses, como Sinovac, Sinopharm e Cansino. O objetivo é, nesta primeira importação, doar todas as doses adquiridas ao Sistema Único de Saúde

Os empresários acreditam que essa ação não interfere nos acordos em vigor com o Instituto Butantan, e por outro lado reforça o Plano Nacional de Imunização do Brasil. Eles irão reunir-se com o Butantan para explanar a intenção de apoio e fortalecer a parceria e as ações em prol do Brasil

Parceria sino-brasileira fortalecida

O deputado Evair destacou que a China é um dos maiores responsáveis pela “porta de saída da pandemia”, tendo oferecido ao mundo mais de uma vacina para combater a Covid-19. Agradecendo ao governo chinês por ser o “grande parceiro” do Brasil na produção e viabilização de imunizantes, ressaltou que o gigante asiático continua preocupado em produzir o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e vacinas para o mundo todo, embora não tenha completado a vacinação de sua própria população.

O parlamentar, que é vice-líder do governo na Câmara, lembrou também das fortes relações econômicas com os chineses, destacando que a preocupação de todos é “termos vacina no braço e comida no prato”.

A posição do governo chinês, apresentada pelo Ministro Conselheiro Qu Yuhui, é tratar o coronavírus como “inimigo número um” do planeta e que a China está atenta aos pedidos por IFAs e imunizantes feitos pelo Brasil. O diplomata garantiu que a embaixada chinesa no Brasil está em contato constante com os laboratórios Sinovac, Sinopharm e Cansino, que produzem cinco tipos diferentes de imunizante contra o coronavírus. Ele lembrou que existem tratativas com o Ministério da Saúde para que outras vacinas sejam aprovadas para distribuição e isso pode aumentar o fluxo de fornecimento.

“Estamos muito sensibilizados com a situação do Brasil e fazendo enormes esforços. Cerca de 90% das vacinas disponibilizadas ao Brasil são produzidos pela China ou feitas com IFA chinês, como a da Astrazeneca. Até agora, já foram entregues ou viabilizadas a produção de aproximadamente 85 milhões de doses dessas vacinas”, asseverou o porta-voz.

Possibilidade de novas vacinas chinesas no Brasil

Thomas Law reforçou que a aprovação pelas autoridades brasileiras para a importação das outras vacinas produzidas na China, possibilitará uma maior oferta e um acesso maior aos imunizantes. “Entendemos que o papel do empresariado é fundamental para a vacinação da população brasileira, podendo oferecer uma grande ajuda na aceleração desse processo”, finalizou.

A Belcher Farmacêutica busca estabelecer parceria com as chinesas Sinopharm e Cansino, de modo a representá-las no Brasil, sobretudo para fins de efetuar o pedido de autorização para uso emergencial junto à Anvisa. A embaixada da China irá auxiliar na interlocução do movimento empresarial com fabricantes chinesas.

Com base na lei 14.125/21, o Ministério da Saúde deu aval formal para que o movimento empresarial avance nas tratativas para aquisição de vacinas e reforçar o Plano Nacional de Imunização. A compra de imunizantes pela iniciativa privada está totalmente de acordo com a legislação em vigor, apresentando-se como uma alternativa para a aceleração da vacinação em massa no país.

 Texto: Jarbas Comitê de Crise